Processos, escuta e criação marcaram a semana do IncentivArte em Nova Lima
- Incentivarte

- há 5 dias
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Entre os dias 16 e 21 de março, a Mostra Coletiva IncentivArte viveu uma semana intensa em Nova Lima. A programação foi marcada por processos criativos profundos, trocas entre artistas e forte presença do público nas atividades formativas, reunindo oficinas, vivências e encontros que atravessaram diferentes linguagens e modos de criação. Ao longo da semana, o que se viu foi um ambiente de experimentação e partilha, em que memória, território e identidade apareceram como fios condutores das propostas.
Na oficina de Iniciação à Marchetaria, a artista Zilda Alves apresentou seu projeto “Memórias em Madeira”, transformando lembranças da cidade em peças construídas com madeira reaproveitada. A proposta partiu de um olhar sensível sobre o cotidiano e os marcos afetivos de Nova Lima. “Transformar memórias em madeira foi uma forma de criar pequenos arquivos afetivos da cidade, conectando passado, presente e futuro a partir daquilo que a gente vive e observa.”
Já na oficina de Expressão Visual, Mart Posse conduziu os participantes por um mergulho em processos criativos que combinavam desenho, pintura e colagem na construção de poemas visuais. O trabalho dialogou com questões sociais e políticas do território, a partir de uma estética intensa e simbólica. “Meu trabalho parte da memória e do território para criar imagens que tensionam o presente, é um convite para olhar com mais atenção e perceber os códigos que atravessam a cidade.”
A proposta de desaceleração e escuta ganhou força no Ateliê de práticas artísticas para a vida, conduzido por Joelma Sena. A atividade integrou corpo, escrita e imagem, a partir de vivências que buscavam reconectar os participantes com suas próprias experiências e com o território. “Ao percorrer a cidade e escutar suas vozes, fui percebendo que existem muitas cidades dentro de uma só, e a arte ajuda a enxergar e a sentir essas camadas.”
A palavra também ocupou o centro da cena com a palestra-performance “Poesia falada”, de Nívea Sabino. A artista trouxe a oralidade como ferramenta de criação e reflexão, articulando memória, território e crítica social em sua pesquisa. “Trabalhar com a memória oral e com as mãos foi uma forma de resgatar histórias e refletir sobre as transformações do território e da vida de quem vive nele.”
A programação incluiu ainda a masterclass “Do sonho à ação”, com Gabriel Afonso, que apresentou os bastidores de seu processo criativo e os desdobramentos de sua obra. A atividade revelou as camadas políticas e simbólicas que atravessam sua produção artística. “A memória não vira poeira. Lembrar é um gesto político, especialmente quando a gente fala de um território marcado por tantas desigualdades.”
A música também foi território de experimentação na vivência “Musicalize: canto, percussão e corpo em movimento”, com Marielle Brasil, Júnio Shock e Romero Bicalho. A atividade integrou som, corpo e memória coletiva, a partir de histórias da comunidade. “As canções nasceram da escuta das pessoas — das histórias, dos afetos, dos sons do cotidiano, e isso fortalece o sentimento de pertencimento.”
Encerrando a semana, a oficina intensiva "Teatro Atual", com Vinicius Ribeiro, trouxe à tona processos ligados à construção de narrativas pessoais e coletivas no palco, em diálogo com sua obra “Recordações”. “Esse trabalho nasceu de memórias minhas e de outros artistas da cidade, é um processo que mistura vivências e transforma tudo isso em cena.”
Realizado pela Prefeitura de Nova Lima, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e pelo Instituto Periférico, com recursos do Ministério da Cultura — Política Nacional Aldir Blanc, o Bolsa IncentivArte reafirmou, ao longo da semana, seu papel como espaço de formação, criação e fortalecimento das artes no território.



