Incentivarte encerra ciclo formativo de 2025 e projeta entregas para 2026
- Incentivarte

- 18 de dez. de 2025
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O projeto Incentivarte concluiu seu calendário formativo de 2025 com um encontro marcante, que reuniu participantes e entusiastas das artes cênicas para uma palestra com o renomado mestre, dramaturgo e curador Anderson Feliciano. O evento, realizado em 17 de dezembro, sob o título “Tropeço: uma poética em confluência”, não apenas coroou o percurso formativo do ano, mas também lançou as bases para os desafios que aguardam o projeto em 2026.
Anderson Feliciano, figura de destaque nas artes cênicas contemporâneas, conduziu os presentes por uma jornada reflexiva sobre o processo criativo, propondo o "tropeço" não como falha, mas como potência para a reinvenção e a confluência de ideias. Baseado em sua vasta trajetória de pesquisa e atuação no Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos, o artista compartilhou experiências que incitaram o diálogo e expandiram os horizontes artísticos dos participantes.
"Eu acredito muito na força desses espaços onde a gente pode se encontrar para trocar, para gerar intercâmbio", declarou Feliciano no início de sua participação, ecoando a premissa de que "quando você compartilha o conhecimento, ele só cresce", uma ideia que ele atribui ao pensamento de Nego Bispo. Para o dramaturgo, "poder estar com outros artistas e compartilhar o que eu venho desenvolvendo nos últimos anos, a partir do que eu tenho denominado Poéticas do Tropeço, é muito especial".
A palestra de Feliciano ressaltou a importância de ampliar repertórios, narrando sua própria trajetória e suas viagens pela América Latina como elementos cruciais para a pesquisa e o autoconhecimento. Essa abordagem se mostrou particularmente rica para os residentes do programa, permitindo-lhes compreender suas próprias histórias e processos. O envolvimento da plateia foi notório, com Anderson Feliciano servindo como uma referência inspiradora. A conexão entre a academia e a fluidez orgânica do processo criativo, um ponto levantado por Feliciano, ressoou profundamente com a filosofia do Incentivarte.
"Este último encontro com o artista Anderson Feliciano veio para confirmar toda a concepção do percurso formativo," observou Lena, uma das organizadoras do programa. "Quando ele falou da importância da confluência, do estar junto em coletivo, a ideia do movimento enquanto poética, de se relacionar com outras pessoas, ele trouxe todo o seu processo inicial de carreira, a construção de seus trabalhos e processos criativos."
A presença de Feliciano foi recebida com grande entusiasmo pelos residentes. Lúcio Vermelho, um dos participantes, descreveu-o como "um artista fantástico, um dramaturgo sem igual, um pensador das artes, do fazer artístico." Vermelho complementou, entusiasmado: "ele traz aí a sua proposta do tropeço como processo de criação, o tropeço que vem falado de confluências, de coisas que não estão planejadas ou até que saíram errado. Errado não, porque acho que as coisas vão sair errado, elas só não saem como a gente planejou e são ótimas oportunidades para a criação”.
Já a dançarina e coreógrafa Thembi Rosa aprofundou sua percepção sobre o impacto da palestra: "A palestra do Anderson Feliciano no Incentivarte foi muito especial. Eu já o conhecia de vista, mas não sabia do trabalho dele. E foi maravilhoso ver essa pesquisa dele na performance, na dramaturgia, essa junção da formação dele em Letras, com a pesquisa com várias residências na América do Sul, América Latina, com performance, uma troca muito intensa com vários artistas."
Thembi destacou ainda a "poética do tropeço, que é essa abertura ao acaso" e a "reflexão dele sobre o corpo negro na performance", que "abre um campo para a gente pensar essa questão do corpo, tudo o que vem, ainda que a gente não queira, não programe, não saiba". Para a residente, a palestra a fez "pensar nessa relação do encontro também, do acaso, do corpo, do corpo do outro, de como a gente se relaciona, como a gente improvisa e cria juntos, pensando na dramaturgia do movimento".
Para Lena, a mensagem final do dramaturgo sintetiza a essência do programa: "Ele fala uma questão que tem muito a ver com o que a gente pensa como um processo de formação a partir de coletivos, que é a possibilidade do compartilhamento do conhecimento. A partir do momento que se compartilha, se reproduz cada vez mais a possibilidade de ampliar a formação, de ampliar formas de conhecer e de se reconhecer." Anderson Feliciano concluiu sua fala com otimismo: "Acredito muito na força desse encontro, estou muito feliz e tenho certeza que vai gerar grandes frutos."
Percurso formativo: território circular e desenvolvimento holístico
A edição de 2025 do Incentivarte foi cuidadosamente estruturada em torno da temática central "Nova Lima: passado, presente e futuro - território circular", visando aprofundar a conexão dos artistas com o contexto local e suas possibilidades. O percurso foi pautado por encontros mensais dedicados à mentoria artística e à construção coletiva do desenvolvimento individual e grupal dos residentes. A residência artística foi organizada em três fases distintas: a primeira, focada no encontro coletivo, estimulou o compartilhamento de pesquisas, interesses e vivências, com dinâmicas e exercícios para aprofundar o processo criativo individual e mútuo, sempre incentivando a criação coletiva e transversal. Na segunda fase, ainda em curso, os artistas estão aprofundando suas pesquisas individualmente ou em grupo, contando com o suporte contínuo da curadoria e convidados, além do constante compartilhamento com o coletivo. Em 2026, a terceira fase vai se dedicar à estruturação e apresentação do processo coletivo, respeitando as criações individuais, mas entrelaçando os trabalhos artísticos para um compartilhamento público, sob a coordenação da equipe de curadoria e produção do projeto.
Para guiar os residentes, foram estabelecidos dois tópicos conceituais principais que buscaram estimular a transversalidade, a criatividade e a prática do artista contemporâneo. O Tópico 1 - Criatividade e Experimentação Artística, com foco em processos colaborativos e de cocriação, abordou diálogos entre multilinguagens, desafios da colaboração artística, dinâmicas de grupo, exploração de espaços não convencionais, técnicas de desbloqueio criativo, pesquisa e experimentação com materiais, práticas artísticas ecologicamente conscientes, e a arte como ferramenta de transformação social e de diversidade. Já o Tópico 2 - Gestão e Sustentabilidade da Carreira Artística visou equipar os artistas com conhecimentos essenciais para o planejamento de carreira, definição de objetivos, elaboração de portfólio, viabilidade financeira e fomento à cultura, comunicação estratégica, presença digital e aspectos legais e direitos do artista, incluindo direitos autorais e a formalização da atividade.
2026: Desafios e expectativas rumo à mostra final
Com o encerramento do ciclo formativo, o Incentivarte já projeta os próximos passos para 2026, que prometem ser intensos e culminar na celebração dos talentos desenvolvidos ao longo da residência. Os meses de janeiro e fevereiro serão dedicados à finalização dos projetos de residência dos artistas, um período crucial para a lapidação e consolidação das criações individuais e coletivas, resultado do percurso formativo de 2025.
A grande expectativa, no entanto, recai sobre o mês de março, quando o programa realizará uma mostra artística aberta ao público, apresentando os trabalhos desenvolvidos pelos residentes. Este evento será a oportunidade de compartilhar com a comunidade os resultados de um ano de imersão, pesquisa e colaboração, materializando a "poética em confluência" e o "compartilhamento do conhecimento" tão debatidos nas palestras ao longo de 2025.
Os desafios para o ano vindouro incluem não apenas a gestão da reta final dos projetos e a curadoria da exposição, mas também a tarefa de engajar o público e garantir que a mostra artística seja um verdadeiro ponto de encontro e celebração da arte e da formação coletiva. O Incentivarte, fiel à sua proposta, busca agora transformar o "tropeço" em um salto adiante, consolidando-se como um polo de desenvolvimento e difusão artística.



