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Marielle

Brasil

MÚSICA

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Projeto
"cANTO, CONTO, CANÇÃO"

O projeto Canto Conto Canção investiga a relação entre espaço, memória e identidade no vilarejo José de Almeida e em suas cinco pequenas vilas, a partir da escuta de narrativas da comunidade, transformadas em canções.

Música, arte da fala e memória fortalecem o pertencimento identitário local em um espaço repleto de histórias de gerações que se entrelaçam, como fios que tecem uma grande colcha multicor, delicada e, ao mesmo tempo, fortalecida pelos que vieram antes.

O processo se deu por meio de cafés com prosa, repletos de histórias e afeto. De repente, o pão de queijo, o biscoitinho, o bolo ou a broa, junto ao café, abriram espaço para palavras, memórias e vivências de tempos distintos que nutriram a alma e a vida de quem dialogava, impulsionando criações e aquecendo o coração.

O aguçar da percepção se fez evidente: movimentos, brincares, conversas, assobios, fazeres, o acalanto da criança, os elos familiares, a amizade, o acolhimento e as sonoridades diversas da natureza e do urbano.

Moradores, em suas prosas, reviveram Zé de Almeida e sua venda, o cruzeiro, a bica, festejos, a capelinha, a igreja, gincanas, campinhos, riachinhos, fazeres, costumes, vagalumes, cortejos, músicos da terra, canteiros de ervas e cantigas. Por vezes, as palavras afloraram de espaços tão internalizados, de lugares um tanto empoeirados, que faziam o olhar se iluminar e o corpo se impulsionar ao falar. Vieram sorrisos, conexões entre passado, presente e futuro e, inevitavelmente, o marejar dos olhos.

— E agora, José, o que fazer diante de tamanha memória afetiva? E agora, José? E agora? 

— Deixar transbordar em canção!

"Tantos Eus, tantas histórias os cidadãos têm a contar.

Tanto canto, encontro, causos emerge de Nova Lima a transbordar

Eus daqui, Eus distantes, Eus de sonho, de encanto e realização

E por perceber bem de perto canto conto canção."

Marielle Brasil é mãe, reikiana, ser musicalizante por natureza, compositora, percussionista e experiente em coral e expressão vocal integrada ao canto. Ela é arte-educadora, brincante, palhaça, atriz profissional e ex-integrante do grupo de teatro Maria Cutia. Atuou com espetáculos cênicos musicais em 17 estados, extrapolando o território nacional. Teve vivências junto a diversos povos tradicionais, sendo esta ampla junto aos quilombolas. Pelo Ministério de Relações Internacionais, adentrou em terras africanas, nos cinco países de língua portuguesa, levando música em cena e oficinas brincantes.

 

Ela é educadora Waldorf, estudiosa dos povos tradicionais, antroposofia e alquimia. Possui inúmeras formações em arte, é geógrafa, pedagoga e cursou Pedagogia Waldorf, sendo pós-graduada em Estudos Ambientais. Desde os tempos de menina, aprendeu a brincar com as palavras, fazendo destas verso e canção. A arte-educação musicalizante transborda em todo o seu fazer.

 

Marielle tem Síndrome de Irlen, mas afirma que não é definida por ela, sendo inúmeras possibilidades. A síndrome interfere no processamento visual e aguça todos os outros sentidos. Talvez, por isso, potencialize seu criar.

Bolsistas
2025/2026

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